Pedro J. Pérez
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Prática Diária ·

A prática do prato atento: coma hoje sem telas e sem pressa

Uma prática simples para transformar uma refeição de hoje em um momento de atenção: escolha bem o que coloca no prato, coma sem telas e pare quando estiver satisfeito, não quando já não puder mais.

Por Pedro J. Pérez

Comer é a única coisa que fazemos várias vezes ao dia sem perceber que estamos fazendo isso. Enquanto mastigamos, olhamos o celular, resolvemos uma conversa pendente ou planejamos a tarde, e o prato desaparece sem que tenhamos registrado um único bocado. Não é preciso um plano nutricional complicado para mudar isso: basta recuperar a atenção em três momentos que você já tem reservados todos os dias.

A proposta de hoje não consiste em comer melhor no abstrato, mas em estar diante da comida quando a comida acontece. Quinze minutos, sua própria mesa e nada mais. Ao terminar, é muito provável que você tenha comido um pouco menos, com mais prazer, e que esse momento se pareça bastante com uma pausa de verdade.

A prática Duração: 15 minutos

  1. Prepare o prato e o lugar

    Antes de se sentar, dedique três ou quatro minutos a olhar o que você vai comer. Que haja algo fresco e variado, não apenas um recipiente aberto. Se hoje puder fazer da refeição do meio-dia a principal, aproveite esse momento para esta prática. Desligue ou afaste a tela mais próxima: televisão, notebook, celular. Não se trata de proibir nada, só de deixar o lugar livre para o que você vai fazer.

  2. Três respirações antes da primeira garfada

    Sente-se, apoie os pés no chão e fique meio minuto com o prato à sua frente. Respire três vezes devagar, olhe as cores, sinta o cheiro do que há ali. É o gesto que marca a fronteira entre o que você estava fazendo e o que começa agora. Se parecer estranho, faça mesmo assim: o incômodo dura menos que a primeira garfada.

  3. O garfo que descansa

    Durante os primeiros cinco minutos, mastigue sem pressa e deixe o talher sobre a mesa entre uma garfada e outra. Não é uma regra de etiqueta: é uma forma de as mãos também perceberem que aqui não há pressa. Note a textura, o sabor, se está quente. Quando o garfo voltar à mão, que seja porque você terminou a garfada anterior, não porque já tem a próxima carregada.

  4. A pausa no meio do prato

    Na metade da refeição, solte o talher e dedique um minuto a uma pergunta bem concreta: como está minha fome agora, de um a dez? Se ainda estiver alta, continue. Se tiver baixado e você já estiver confortável, tem permissão para parar aqui, mesmo que reste comida no prato. Servir demais não obriga a terminar. A saciedade chega antes do que o hábito lhe ensinou a esperar.

  5. Um minuto de encerramento

    Quando terminar, fique um minuto parado antes de se levantar. Não faça balanço do dia nem tire conclusões: apenas observe como você sai da mesa, se o corpo está leve, se a cabeça está mais clara do que antes de começar. Esse minuto é a diferença entre ter comido e ter comido com atenção.

Para refletir hoje

Esta noite, antes de dormir: em qual das refeições de hoje você esteve realmente presente e em qual você apenas estava despachando mais uma tarefa?

Para terminar

Não é preciso repetir esta prática em todas as refeições nem transformá-la em uma regra que julgue você quando falhar. Basta que hoje uma delas tenha sido diferente: alguns minutos de atenção em que o corpo e a mesa voltaram a se encontrar. Cada vez que você fizer isso, três momentos do dia deixarão de ser meras formalidades e se parecerão bastante com três pequenas pausas de calma.

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